Terça-feira, Março 04, 2008

Não Leiam esse Blog

Venho humildemente pedir que, por obséquio,
Não leiam esse blog.
Não percam o paredão do Big Brother por essas poucas palavras
Atiradas ao vento.

Aliás, não leiam mais nada!

Vamos descobrir uma nova utilidade
Para os nossos velhos livros:
Talvez nivelar o pé da mesa,
Ou levantar um qualquer nos Sebos da cidade...

Não temos mais tempo a perder,
Somos tão jovens...
Sabemos tudo...

Quando nossos filhos nos perguntarem,
Por exemplo,
O que a Esfinge dizia aos viajantes
Que por ela passavam, talvez responderemos:

"Acessa o google lá que tem"

E eles poderão encontrar, e assim descobrirão que
Toda essa nossa geração perdida já foi devorada!

Domingo, Março 02, 2008

Desejo

O meu Amor estará atento
Aos dissabores da vida e Forte,
Sobreviverá às tormentas naturais
Do caminho tortuoso ao cais,
Pendulando com o vento,
Água do mar, olhar ao Norte,
O Sol esquivo penas nuvens de algodão.

O meu Amor é o que permanece
No mundo de transformações,
De desalmados, Deus Amado!
É o meu lírio, o meu fado...
Minhas palavras, todas as canções
Que entoam minha voz em prece.

Mas o meu Amor, por Deus, eu vejo
Em tudo ao meu redor!
Estupidez é limitá-lo ao bem:
Se pode matar, morrer por si mesmo,
E, mesmo assim, por ser libertador,
Permeia sempre o meu desejo.

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

The Return

Demorou algum tempo, mas a vontade de escrever reapareceu, assim, sozinha, como um desejo de algo que não se come há algum tempo, ou, simplesmente, porque deveria ter aparecido. Mas o importante é que ela voltou, e não deixarei de publicar aqui essa nova fase, intitulada Poemas Furtados.



Inocência

Não são mais felizes aqueles que não pensam?
E, se pensam, ignoram que a vida é real,
Dolorosamente concreta, abominável em cada
Uma de suas peculiaridades infelizes...

Falar do conhecimento, e de tudo
O que se possa provar, cientificamente,
Com os olhos que negam a beleza
E buscam sedentos a verdade,
Quando a simples existência é tão mais bela.

Então a chuva não é mais apaga-pó,
Nem fortuita, se já se pode prevê-la,
Já não lava o suor da terra, pluviátil,
É apenas precipitação.

Ora, se errar é condição humana,
E se erra a cada inspiração, cada reflexão,
E as certezas de outrora são as dúvidas de hoje,
Não se pode crer em nada desse falho intelecto,
Tudo não passa de masturbação.

A certeza única que se tem é a da morte,
Então que morramos!
Apaguemos de nossas cabeças as incertezas,
Os sentimentos, pulsos eletromagnéticos
Oriundos de nossos órgãos sensoriais
Interpretados pelo cérebro, tudo o que parece real
E não é.

Abracemos a ignorância,
O ópio do corpo, da mente,
E mergulhemos no oceano da inocência,
Que o barco das mentiras passe ao longe.
Também o da verdade, mas esse nunca alcançaremos.

Mas quem vai dizer aos apaixonados
Que a luz da lua é apenas o reflexo do sol?

Sábado, Novembro 24, 2007

Reflexão:

Há uma espessa camada de novidades
Sobre a minha condição original,
Que me enche os olhos, brilhantes,
E me afasta do caminho que um dia sonhei seguir.

Será necessária a tragédia,
Para que a comédia tenha graça?

Ou bastam alguns pingos de chuva,
Num dia de sol,
Para que eu volte a enxergar o arco-íris...

O importante é que a luz, mesmo diminuta,
Consegue criar as sombras.
E através delas, meu caminho se destaca iluminado.

Sei que vou voltar, um dia eu ainda vou voltar,
E aqueles que me esperam, pacientes,
Terão de novo o brilho da minha escrita.

Domingo, Novembro 18, 2007

Desabafo de uma vida desnecessária


Quero antes a morte que a culpa imposta
Por quem não tem direito de me machucar.
Se é de lágrima o oceano que navego,
Não quero mais, prefiro atracar no cais.

Pois a ínfima lembrança da dor me faz triste
Mesmo antes de saber o que virá.
Não tenho mais força de viver intensamente,
Acosto-me sempre na mediocridade do quase...

Quase um amor, quase um carinho,
Tudo é incompleto e repleto de lembranças vis,
Maldita hora que fui querer outra vez,
Pensando ser, dessa vez, para sempre. Não.

Não é nem nunca será, a condição humana
Nos torna finitos, mas por que se lembrar disso
Se há um céu de luz azul lá fora, do outro lado?Não há porque sofrer, tudo não passa de um instante.

Mas a vida sim, esse mecanismo de coisas confusas
Que passam por mim e me roubam pedaços,
Que geralmente não percebo, e quando o faço,
Finjo que nada está acontecendo e continuo meu caminho incompleto.

Eu nunca serei o que penso que sou,
Tenho ódio de mim e sei que espero amor dos outros,
O que fazer de mim, se nem mesmo eu me agüento?
Eu sei a resposta, mas não tenho coragem de dizer...

Por isso vivo diariamente o castigo de conviver comigo mesmo,
Sou uma cópia daquilo que repudio e, mesmo sabendo disso,
Continuo a fazer as coisas que me desagradam,
Esse é o meu inferno, meu purgatório...
São as coisas ruins que me acompanharão durante toda a minha vida,
Mas são as únicas que serão verdadeiramente minhas!

O Poeta

Eis o poeta, vem cabisbaixo;
Não triste, mais pensativo,
Que a vida não lhe vai bem.
Não traz nada nos bolsos, além
Das páginas insólitas de seus versos.

É que o poeta está morrendo!
E ninguém faz nada a respeito
(Triste é ver o céu coberto por um
Teto frio e branco o dia todo...)

“E as únicas cores que se lhe apresentam
São o verde do catarro e o
Vermelho dos olhos débeis e febris.”

Pobre poeta, que não tem com quem
Desabafar, senão consigo mesmo:
Todos estão felizes por ele!
Restam-lhe as folhas nos bolsos,
Que vão caindo suavemente na estrada solitária
.

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Olhos curiosos

Vejo teus olhos buscando os meus aflitos,
Que o meu peito se eleve!
Dedos unidos em luz dourada,
Teu rosto que é leve...
Brancos de luz tua música emana,
Num suspiro que é breve.
Teu corpo nu o vestido abraça,
Pequeno pontinho que é neve...
E costureiras, parteiras em pranto se agitam:
– O senhor a verá em breve!
Não agora, não pode, dá azar,
Uma delas num arco me impede.
Agora não te vejo na frincha da porta
Sorrindo nervosa: – Pegue os anéis e leve!
Me rio por dentro, que besteira,
Meia lua meus lábios descrevem
Enquanto me afasto, te espero
No altar, que comecem as preces...

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

Menina

Linda, minha menina,
Na noite sorrindo do dia,
Podia, passa e não se queixa,
Perfeita, sob medida e foi Deus
Quem criou, agora eu passo
Feliz no caminho de sempre,
E sorrio com ela, a vida é bela,
Não temos receios, somos inteiros
Amantes, o medo ficou no cinema,
Apagaram a luz, mas é dia,
Seu corpo de luz me ilumina,
Estrela, passa e não se queixa,
Mas tenta, me irrita de tanta bondade,
Não sou desse jeito, tanto faz,
Ela quer mesmo assim
E me diz, eu largo meus planos,
Deixemos de ser somente eu
Para enfim sermos nós,
Menina, minha linda.

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

Feijão com arroz

Mas que escrever livremente é prazeroso,
Longe das regras e das formas,
Vejo-me repetindo o já feito,
Sem revolta.
Hoje não tem motim, diz o mancebo,
E me serve a poesia assim, espalhada no prato.
E como, como se comesse a fina ceia,
Aquela servida em quatorze pequenos arranjos,
Todos com dez camarõezinhos, lindos,
Que não dá vontade nem de meter o garfo,
Estragar.
Mas não estrago, deixo-a onde está.
E me delicio com o feijão com arroz:
Está lá, nos pratos dos executivos,
Pedreiros, ladrões, freiras e prostitutas,
Todos comem.
É o alimento do homem,
Sem rodeios, nem rítmicas frescuras,
É a beleza do que se pode tocar com o garfo.

Terça-feira, Setembro 18, 2007

As flores...

É preciso vê-las sorrir, chorar,
Vê-las tristes e alegres para perceber
Que o riso e as lágrimas se confundem.
É preciso fazer-lhes filhos, dormir com elas,
Morder, beijar, agradar e bater,
Elogiar para então maldizer.
Sofrer por elas,
Brigar por elas,
Morrer por elas...
Matar por elas.
É preciso dar a elas tudo o que se tem
Sem cobrar nada em troca, além
De tudo o que elas não têm.
É preciso elevá-las ao topo do mundo,
Deixar-se dominar por elas,
Mesmo quando não sabem o que fazer
Com tanto poder.
É preciso tocá-las, violas que são,
Mas antes afiná-las em diapasão
Para que soem como se deseja.
É preciso cheirar-lhes o corpo todo,
Todos os cheiros do corpo,
Amar os cheiros do corpo.
É preciso escutá-las, mesmo caladas,
Os sussurros falam conosco,
Somos animais civilizados.
É preciso beijá-las na boca,
Provar-lhes o gosto da boca, maçã,
Perdição do homem, começo e fim.
Mas, principalmente, é preciso tê-las,
Chamar-lhes pelo nome seu,
Sua, minha, nossa,
E deixar que os olhos se fechem
Com suas mãos delicadas.

Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Unificação

Quem me dera poder enxergar pelos teus olhos,
Andar com tuas pernas, tocar com teus dedos,
Comer com tua boca, salivar a tua fome,
Beber da tua água, molhar teu corpo em mim.

Sentir o teu frio, aquecer meu fogo em ti,
Mergulhar em tuas veias, respirar o teu pulmão,
E até, quem sabe, pensar com tua razão,
Ou, somente, lembrar tuas memórias.

Quem me dera contemplar todas as coisas
Que de ti se vê, sem saber que não sou eu,
Confundir as nossas vidas, entrepostas,
Subtilmente num abraço unificadas.

Serei eu mais feliz sendo tudo o que eu amo,
Ou, talvez, menos triste de não ter
A elevada máxima potência de poder dizer
Que sou finalmente aquilo que me faz viver.

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

Homem ao mar

Um suspiro doce e leve ao cair no oceano,
Sinto o corpo boiando em direção à ilha desconhecida,
Águas-vivas tocam os meus dedos,
O céu está mais distante do que parece.
Minha barcaça passa ao largo de uma corrente,
Vou contente, pois lá está o meu amor.
Ela tem nas mãos uma delgada corda, comprida,
Quase me alcança, falta pouco.
Desatino a nadar, o barco afasta.
Por que foi que ela me deixou cair?


De repente sou puxado para o fundo,
Agora a barquinha sobe, parece voar no azul.
Logo a escuridão agasalha o meu corpo frio,
Sinto-me envolto em negridão, vejo a morte:
São dois olhos de luz na imensidão das trevas.
Ela me toca, a agonia se esvai de pronto,
Já não sinto o meu coração doer, pedra que se torna,
Não permite que o meu amor penetre, tampouco o sangue,
Porque já estou morto, indo a pique,
Em direção à ilha desconhecida que é a extinção.

Quarta-feira, Agosto 22, 2007

Veleidades

Quero fazer parte dos seus sonhos,
Suas fantasias mais secretas, seu olhar risonho,
Quero ser o homem que a corteja,
Quem a admira, quem a deseja,
E se mais alguém faz suspirar sua figura,
Não terá nunca metade nem parte nem fragmento
Do que sinto por você, divina criatura,
Por isso canto o meu amor neste momento.

É a luz que brilha o meu caminho,
Singela natureza de toque feminino,
Beleza ímpar, sutil melodia,
Na noite escura a luz do dia,
O amor em carne e osso, água límpida.
Quero em seu corpo navegar delicadamente,
Ouvir a voz das águas, murmúrios de vida
Na chuva que cai deliciosamente.

Domingo, Agosto 19, 2007

Dezasseis

Doce efemeridade é a nossa vida:
Nas manhãs tão singelas de beleza,
Abre à flor tempestade de pureza,
Rouba do vento a força envelhecida.

À tarde, de saudades da manhã,
Não se cabe em tristeza tão sofrida,
Chega ao ponto de não ver as feridas
Que a lembrança consigo traz irmãs.

E à noite, simplesmente o amor se vai,
Carregado co’a força das mentiras
Ao seu próprio fim, e é a vida que cai.

Maldita madrugada então recita
Aos pobres que não dormem nunca mais:
- Amanhã será mais um belo dia!

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Reunião de Todos os Eleitos

Primeiro veio o homem,
Olhar ansioso pela sua recompensa,
Roupas brancas e limpas;
Quebrando o silêncio no local, disse: Eu quis tudo saber, eu sei tudo!
Uma vez no meu estreito domínio não posso mais me manter,
Eu já vivi todo o meu tempo, percorri todo o meu espaço,
Tenho horror a vida e a terra me desgosta;
Então, logo depois chegou a terra, silenciosa,
Não mais sob os pés do homem, mas a sua frente,
Tão longe quanto pôde ficar;
A terra disse: meu seio empobrece e gela,
Meu leite em veneno para o homem se torna,
O descaso e a degradação que fizeste a mim
São estendidos até os meus ossos...
Estou cansada de procriar!
Subitamente o céu chegou pelo ar,
Querendo achar um ponto pacífico,
Um lugar perto da terra e longe do homem;
E o céu disse: O relâmpago se oxida no seio ardente,
Cobiçando o guardião do átrio sagrado,
E sofre de tédio à espera de um eleito entre os eleitos,
Ramificado na terra, com asas, mas sem voar;
Depois, chegou o inferno,
Enlouquecido de satisfação,
Deleitando-se com as criaturas do mal;
E disse: Satanás se cansa de empilhar
Uma legião de condenados em reprovação divina;
Somenos, por fim chegou o verbo,

E disse: Nada! É preciso recomeçar!



** (Poema de 1999 - Insanidade Passiva)

Segunda-feira, Julho 09, 2007

Morte do autor

Parti. Foi hoje à tarde, sem aviso:
Senti a pontada forte de um infarto
Na doce calmaria do meu quarto;
Depois, nada: nem o golpe no piso.

Deixei mulher, crianças sem sorrisos,
Consideráveis bens, que não descarto:
Eu deixo tudo aos meus, do mais me farto:
Vejo que a morte não é prejuízo.

O corpo está caído ainda, frio,
Não deram por mim falta, nem eu sei
Se realmente estou morto, afinal,

Pois não há diferença, então rio,
Mas logo fico triste, pois deixei
O livro que eu escrevia sem final.

Enfermo

Entusiasmado
Entusiasmo
Entusi-asma
En-tosse-asma
Entossiasmado
Xarope com chá

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Fragmento de um pensamento

"O poeta escreve a dor
Que sente no coração,
Mas acaba por morrer
Com a pobreza do pulmão."

Quarta-feira, Julho 04, 2007

Mutualismo

Morangos vermelhos e doces
Na boca desmancham em prazer,
Transportam o céu para os lábios,
As nuvens para os pés,
E o chão, pobre chão, fica no chão.

Amores são como morangos,
Derretem em calda vermelha de sangue,
E enquanto um avaro devora a frutilha,
O outro é comido,
Pobre destino do grande sacrifício.

Então eu vejo quão triste é mesmo o amor,
Que dose! Eu que adoro tanto amar...
Não! Dessa vez não vai ser assim.
Vou aprender a cultivar morangos,
Campos recheados de doce paladar.

Segunda-feira, Junho 18, 2007

Agosto

Veja que ironia...
Depois de viver o sonho
E até chegar mais longe,
O castelo de areia
Desfaz-se à água do mar.
É o mesmo caminho
Seguido e vivido e o abismo
É o mesmo, somos penados decaídos,
Com as mesmas lágrimas
Escondidas nos olhos, os olhos
Que vão ter conforto sem paz
Nos mesmos semblantes,
Embotados da fúria de Vênus,
É ela, a mesma ironia.

Domingo, Junho 17, 2007

Os primeiros dias de agosto

Minha vida caminha desesperada
Em busca de alguma coisa
Que não sei dizer o quê,
Mas que me ataca diariamente
Como um sutil mal estar,
Breve como a brisa da manhã,
No meu ouvido a me cobrar:
- O que queres? O que tanto esperas?
- Corra, porque o tempo é curto e sagaz.
Nessas horas eu sinto
Meu corpo pesando o dobro,
Meu caminho por uma rocha impedido,
Vejo os outros subindo tão rápido,
Sem inveja,
Mais decepção de mim mesmo,
Acabo por ficar no mesmo lugar.
E é só você, Pequena, que tem a cura
E a calma e o tempo-bom que eu preciso,
É só você que me faz continuar lutando,
Mesmo com as poucas armas que eu tenho,
Contra a minha própria tristeza,
Ela,
Que insiste em não me largar.

Sábado, Junho 16, 2007

Bancário


Estou aqui, vendendo $onhos,
Não sou poeta,
Não choro mais.

A minha alegria é verde,
Azul, lilás, vermelha, amarela,
Amarela e Azul.

A insuficiência do novo

O que me vem, novo,
É como uma espada, em chamas,
Que estilhaça as vidraças, mosaicos,
Ladrilhos coloridos dos meus sonhos.

E os desejos da manhã, eu Ser,
Deixaram-se quedar no escuro,
À sombra da novidade, tão bela
Que me queima os olhos em gozo.

E vou traído pela flama,
Mariposa manipulada, submissa,
Consciente da finda aurora,
Cadáver adiado que procria.

Quero antes as crises chorosas,
As perguntas sem respostas,
o bem e o mal indefinidos no ar,
As frases rasgadas nas paredes...

Quero as palavras que martelam,
Os dias que trovejam,
As noites que se anulam.

Sexta-feira, Junho 15, 2007

A flor

Ela é em pele, em carne,
Emana dos jardins nos arredores,
Da perfeita flor o aroma instigante,
Que o céu por entre as nuvens se enamora,
Que o sol vem aquecer a botoeira,
Que o vento traz o distante beijo meu.

Os antes verdes campos são rosados,
De um tapete o ornado solo se transforma,
Da bela flor, como lágrimas, pétalas que caem,
E inundam de ternura a triste imagem,
É na beleza o sofrimento mais presente,
É na esperança a questão maior o amor.

Ela é à flor da pele o amor da carne,
O que é, mesmo distante, não ausente,
O que é, mesmo triste, venturoso,
E na penumbra da incerteza não combóia,
E na paixão do desespero é como bálsamo,
E entre as nuvens carregadas é arco-íris.

Tempo Perfeito

É sublime o tempo em que estás aqui,
Veloso, segue num ritmo extraordinário,
Tempo em que um dia, um ano, uma vida,
Uma eternidade é devorada num minuto.

Os sóis não marcam dia, nem se atrevem,
São insuficientes os sóis, mais são os dias,
Por uma vida vivida em uma nesga de tarde,
Vale mais do que os anos outros esse instante.

O coração bate mais pronto nessas noites,
Bate e cala com os beijos sufocantes,
Que os pulmões de amor se entopem,
Que as veias de lava ardente se abarrotam.

Os corpos já cansados têm alento,
Após tamanha febre de desejos,
Em recobrar o seu tempo alheio,
De um minuto enleando a vida inteira!

Ter você...

Ter você, meu amor, é simplesmente perfeito,
Pois você é o amor que eu sempre procurei:
Você é beleza, cumplicidade e paixão.
É tudo tão chato, incompleto sem você.

Meu amor, por que então essa crueldade?
Separar dois corações por tanto tempo.
Castigos medievais são mais amenos,
Saudade é com certeza o pior tormento.

Diga que horas você volta, Pequena:
Para os braços que imploram seus abraços,
Para os beijos que suplicam seus lábios,
Para o homem que espera sua mulher!

E o tempo é severo neste momento,
Tanto que custa a consumir as horas:
Degusta cada minuto de saudade
Em grãos de areia, qual ampulheta.

Mas o que me dá alento, Pequena,
É saber que lhe tenho para sempre,
E que o presente é o futuro do passado,
E o futuro do presente a nós pertence!

Carpófago

Apareceste como o sol da manhã nos campos,
Flor, orvalho, capim molhado, és natureza!
Minha fonte de águas claras, és cachoeira,
Vento, espuma, amoras frescas da estação.

Em tuas matas correm veias caudalosas,
Quedas d´água que transpassam os montes,
Solo fértil de folhas caídas encoberto qual veludo,
És minha terra, minha casa à beira mar.

Sigo o vale que conduz a tua fonte,
Bebo tua seiva, polinizo-te com os dedos,
Desfiro um arco em tua volta te admirando.

Como os frutos do teu ventre vorazmente,
Sinto o gosto do teu filho em meu pescoço,
Parasito do teu bosque, sou teu verme.

Junto de ti

Quero ficar, no teu corpo, impregnado:
Uma epífita que brota do teu tronco,
Um peixe que vive em tua anêmona,
Uma agulha que recebe tua linha.

Quero ficar, na tua presença, calado:
Ouvindo apenas o nosso silêncio,
Contatos imediatos de terceiro grau,
Troca de estímulos quase involuntários.

Quero ficar, no teu colo, sossegado:
Minha casa é o teu abraço, teus seios;
Tuas mãos me conduzem ao devaneio,
Teus dedos me calam com aferroadas.

Quero ficar, na tua carne, encravado:
E chegar tão perto dos teus átomos,
Que desafiaremos então as leis da física,
Ocupando juntos, o mesmo lugar no espaço.

Asterisco

Mesmo que eu não te veja por entre as folhas,
Eu sei que estás lá, no céu a brilhar.
Mesmo que eu pense que não vais voltar,
Te encontro escondida na estrela-do-mar.

Uma casa no campo, um rio piscoso,
Um céu colorido com lápis de cor.
Uma sombra de mangueira, um fruto gostoso,
Espera-te aqui embaixo, astro do amor!

Mas queres ficar sozinha no escuro,
No colo do nada, no abraço do fel,
Preferes o plano de fundo do mundo,
E fico eu cá te buscando no céu.

Noturno

Doce é o beijo que me dás ditosa
Nos fins de noite ao te encontrar
Devidamente esperando a hora
De finalmente nos conciliar

São os dias maiores que as noites?
É o tempo mais acelerado enquanto
Saciamos nossas saudades tênues
Acompanhadas das doces volúpias

As nossas noites são firmadas assim
Feito recompensa de um dia “solo”
E aguardamos ansiosos sua chegada

Para matar com o mesmo causador
Das consternações nostálgicas diárias:
O amor saciando a sua própria ausência

Noturno II

O céu azulado resplandece o dia
Que nasce venturoso pontualmente
Mas o meu peito pusilânime espera
O advento da noite novamente

Os pássaros cantam a sua fortuna
Sobre os muros aquecidos pelo sol
Mas os meus ouvidos só aguardam
O silêncio da noite em tom bemol

Os homens correm desesperados
É quase fim do expediente diurno
Usam da noite para o seu descanso

Mas eu prefiro não dormir agora
Que meu sangue está mais ativo
Vou trocar a vida pela noite!

Minha escrita

Minha escrita é a minha vida
Tão presente quanto o ar em meus pulmões
Tão intensa quanto o amor em meu peito
Tão freqüente quanto os beijos de amor

Meus pensamentos fluem simbolicamente
Em palavras vernáculas familiarizadas
Com meus sentimentos consistentes
Que o fardo é o simples transpassar

Tenho a força da espada em minhas mãos
De infligir guerra ou paz em meu coração
E também nos outros diretamente afetados

Tenho o poder manipulador guardado
Entrelinhas ou explicitamente apresentado
Do qual faço uso constante mesmo calado

Todos os sentidos

Sinto-me tão próximo de ti
Que confundo as nossas pernas
Num balé sincronizado e sutil
Sentindo teu calor me aquecendo
Vens calar meu corpo devagar
Levando-me aonde nunca fui
E a cada dia avançamos mais
De forma tão natural e simples
Que não sei de onde emana
Tamanha vontade de sentir-te
Ao meu lado, pequena.

Sinto o teu perfume penetrar
Em minha mente profundamente
Que te respiro e encho o peito
Daquilo que teu corpo emana
Que é teu cheiro adocicado
Tão suave quanto instigante
Que só as mais belas flores
São capazes de produzir

Vejo em teus olhos a verdade
A simples vontade de amar
E também de ser amada igual
Tens o mais perfeito rosto
Que deleita a minha vista
E clareia minhas retinas
Com a beleza desse olhar
Que espelha meus anseios

Ouço tua voz embrenhar-se
Em meus ouvidos sensíveis
Dizendo-me palavras doces
Mescladas com murmúrios
E sussurros que me aquecem
E me instigam loucamente
De forma tranqüila e rítmica
Como uma canção de amor

Tens o sabor da fruta proibida
De um néctar de favos reais
Que é feito para ser provado
E degustado como um bom vinho
De uvas amassadas com as mãos
Como a rústica bebida curtida
Nas mais nobres madeiras
E provo dos teus lábios o beijo
Que é o manjar de todos os deuses

Sinto tua pele osculando a minha
Respiro o teu ar aromatizado
Vejo em teu corpo minha morada
Ouço de teus lábios o teu júbilo
Provo em tua carne o meu pitéu
Enfim, amo-te em todos os sentidos!

Skip


Livre_________________ ___________ Estou
Hoje e sempre_____________________Contigo
Liberdade alcançada______________ _ Agora
Por coragem e boa vontade__________ Sinto-me
Livre amparado, tua companhia__ ___ _Feliz
Abraços calorosos e o teu corpo____ ___Quente
Acompanha meus passos______ ______ Então
Segue meus sonhos______ ______ ____ Contente
Hoje e depois________ _ _ _ _ __ _____Direi
Sempre____________ _______________Te amo

Inverno

Campos verdes, flores, bosques perfumados
Caminham para a estação gelada
Folhas caem, acinzenta-se o verde
O perfume se resguarda nas secas cascas

A pequena cigarra se enrosca no toco
Fazendo lar, enquanto as lava-pés correm
Num balé sincronizado buscando folhas
Que caem numa chuva verde-oliva

É fim de outono, é capim-manteiga
É renovação do ciclo da vida
É tempo de busca interior, de introspecção

Negras nuvens, mas o céu está limpo!
Ah, fumaça que vem de longe, da chaminé
Biscoitos quentinhos devem estar saindo

Flor da primavera

Ah, pequena flor do meu jardim
Brotaste da dor, das preces que fiz
Do fértil solo te alimentas feliz
Cuido para ver-te bonita assim

E esse solo preparado enfim está
Para acomodar tamanha formosura
Quiçá foi do teu amor a minha cura
Ou curado estava, bastava semear

E agora que o inverno acabou afinal
É chegada a primavera, nossa estação
É tempo de frutificar nosso quintal

Para quando desabrochar o verão
E os outros tantos verões, por sinal
Possamos ter os frutos em nossas mãos

Ter você

Enfim é chegada a minha vez
De viver intensamente o amor
Que em livros eu li e nunca os vi
Acontece que te encontrei, enfim

Portanto preparo a matéria-prima
Nestas linhas para dizer-te o que sinto
Meu bem querer, amo-te como a vida
Tornar-se-á parte da minha portanto

Vamos voar pelo infinito limpo céu
Refletindo o campo verde, fresco, vivo
Os ventos, nossos murmúrios dispersando

Levando paz nos cantos onde ecoam
Compartilham nossas alegrias aqueles
Que inda não tiveram tal fortuna

Intenso

Deixastes marcas em meu corpo, mulher
Não doem, mas fazem te lembrar
Causa tua me sinto pronto a intentar
De novo a incrível jornada o amor

Vejo em teus olhos pureza e bondade
Além do que se vê, os superficiais
Que do escudo teu não transpassam
Eu fiz, e vi frágil reflexo do que sou

Fui além da simples investida conhecer-te
Sei também que sentes isso assim igual
Qual não sei de outros, falo por mim

Sei dos receios e das influências meras
Mas para rotular o enlace consumado
O que posso verter aqui é que foi intenso

Tu

És clara como a luz do dia, mulher!
Luz que norteia os pensamentos
Em tua direção, senão mais perto
Do que de ti posso chegar somente

És fogo que não queima, aquece!
Chama que abriga os sentimentos
Em meu coração, buscando-te por certo
Deixando que me consumas totalmente

És sutil como o ar, sublime fêmea
Que de ti necessito encher meu peito
Como se de oxigênio fosses feita

És suave como a neve, sereno e orvalho
És como um manto que me envolve o corpo
De ti me aqueço, queimo e me ilumino.

Mina D´água

Tu és a mais bela entre as ninfas
De hidrogênio és feita, vejo-te presente
No topo das montanhas e no solo dos rios
Na espuma das ondas do mar

Tuas mãos são dois córregos
Que vêm em minha direção
Para em meu corpo desaguar caudalosa
E recebo-te mulher, meu afluente!

Deixe-me navegar em tuas águas
Quero subir tuas cachoeiras
E encontrar tua suntuosa nascente

E quando eu atingir a tua origem
Dê-me de beber que tenho sede
E de tuas águas quero me fartar

Meu sustento

Pelos teus pêlos deslizo as mãos
Em teu corpo faço minha morada
Percorro um caminho com meus lábios
Que chegam aos teus, rubros sedentos

Esboço um sorriso enquanto te beijo
O júbilo é de sentir-te assim
Tão perto de mim, que te respiro
Consumo-te, alimento-te então

Exultação vital para meu corpo
Sustento para a minha alma
És tu carne, plasma e hemoglobina

Pequenos dentes e unhas, conchas do mar
Gelo e fogo ao mesmo tempo
És pirâmides, mármore e lençol

Navegar em ti

Deixe-me provar dos teus lábios
A doçura das maçãs-verdes
O suave licor teu gosto afável
As gotas de orvalho teus beijos

Mata a minha sede de tua boca
Quero beber do teu néctar os favos
Que escorrem leitosos na sedosa pele
De teu rosto úmido adocicado

Cubra-me de beijos aromatizados
De tenras e sutis carícias de amor
De murmúrios e pedidos insólitos

Cale-me com teu pescoço delgado
Com teus primorosos seios
Com tua irrigada virilha
Quem, com sua mão
Singela, fez de mim criança
Outra vez?
Tem meu coração,
É dela, como numa dança
Se desfez.
Vem, sou teu irmão,
Quisera ser tua lembrança
Outra vez.
Mas sou teu cigano,
Esperto engano ver o fim
Antes de ser.
Já sem esta forma
Na lembrança, sutil descansa
O coração.
Mas o peito insiste,
Ainda é triste o despertar
Sem minhas mãos...
Sem tuas mãos.

"Tudo é mais belo e singelo
Que um elo de uma minhoca,
Que um talo de um cogumelo,
Que o espiral de um caramujo."

Faz de conta

Ah, bela dama, que não sou
Nem pedaço do que gostarias,
Mas que me entregas o leito
Quente, e suave, e doce
De uma brisa da aurora.

Veemente vens me mover
De onde estou, o que sou
Já não sei, deixo estar
Pois eu sei que o amor
Não tem explicação.

Vem a luz mais uma vez
De manhã pintar o céu,
E eu sinto que não mereço
A claridade, então meus olhos
Baixos procuram a escuridão,
Em vão:

Tudo é luz, e toda dor se vai
Num rabo de cometa, no céu
De fogos de artifício,
E do alto do edifício
Eu vejo minha vida passar por mim.
Aceno a todos os braços, mas
Nenhum deles é o meu.

Fico a perguntar, os passarinhos
Dizem sim, sim, sim.
Que eu confirmo num sorriso
Sem acompanhar, meus pés se firmam
No parapeito, estou a um passo de ti.

Fernanda

Tudo é delicadeza e beleza no teu jeito de olhar,
Tudo é claro, calmo, vivo, lento, puro despertar,
Vejo tua boca o meu desejo, o beijo lento que me dás,
Já não sei o que fazer pra descrever tanto sonhar.

Sei que as palavras foram feitas pra falar,
Mas são tão poucas, roucas, outras não sei usar,
E já que eu faço e embaraço e me entrelaço no igual,
Perdoa-me, meu bem, não sei a forma de mudar.

Sei dos teus desejos, o teu beijo é meu sonhar,
Teu sorriso liso, puro e fresco: brisa do mar,
Amanhece o dia, resplandece o nosso amor,
É começo de uma nova vida, belo par.

Se o tempo hoje é triste, a chuva insiste em alagar,
Não saio de casa, espero o sol que vai voltar,
Deixo as minhas mágoas, minhas penas para trás,
Pra ver tudo aquilo que eu sei que vai chegar.

Mulher...

Seja flor, das acácias brota inveja.
Fecha e abre, qual botão de rosa branda
Recebendo o sol que de luz tão branca,
Matiza-se com as pétalas magentas.

Seja cálice, d’ouro em pó se ostenta
Reluzindo a maciça cobertura,
Recheada a licor de compostura,
Pureza, honestidade e fina seda.

É sagrado o teu ventre, Vênus bela,
Singela forma intrínseca divina:
Dos Martes vigorosos ser o cerne.

É sublime o teu colo, grã-menina,
Berço da humanidade, tudo dele:
Porque é de ti, mulher, que nasce a vida!

Musa

Lê meus versos, que os faço só para isso:
Vê-los criando vida em teu semblante,
O sol nascendo em teu olhar diante
Das frases que traduzem teu sorriso.

Lê meus versos, que são teus desde o início,
E não têm fim, prosseguem radiantes
Cantando a alacridade desse instante
Enaltecendo-te, meu benefício.

Dize-me, pra que servem as canções,
Os versos epopéicos, os sonetos,
Senão representar nossas paixões?

Por isso, meu amado ser, percebo
Que sem ti não haveria inspirações.
Da poesia eu sou o único defeito.

Fantasma

Deito em meu leito aconchegante e sonho
Tão logo os meus olhos negros se fecham,
Volto ao meu espaço de paz e esperança
Que as noites solitárias me reservam.

E eis que, na escuridão do meu recinto
Vejo-o, girando em minha cabeça,
Em círculos infinitos, é ele,
O fantasma da minha vil tristeza.

Co’as mãos ameaço-o, Vai-te embora!
Gira em minha mente seu ectoplasma,
Gira, e torna a girar indeciso,

Àquela figura meu peito chora,
E ouço sua risada de fantasma
Sussurrar tudo aquilo que preciso.

Cantilena

Lá, onde o Sol Se Faz Minha casa,
Resta um pedaço de luz.
Chega a semente da serenata
Cantando a brisa do mar.
Serei mais belo que uma fragata
Cruzando a linha sem fim?
O horizonte me vem feliz
E ela se faz diferente, já vi.

Solto no imenso clarão do espaço,
Vejo as estrelas se abrirem.
Lá vai a luz Lá Si Dó Minguante,
Levar nos lábios o Sol.
Pego de um lápis e esboço um laço
Para enfeitar meu convés
De mil pontinhos luzentes,
São vaga-lumes contentes
Beijando o céu que sem lua
O oceano insinua feliz.

Agora está tão escuro o barco,
Não vejo o meu violão.
Ouço a cantiga das fadas mortas
Que de manhã voltarão.
Nem gafanhoto faz comitiva,
Beijo minha solidão:
Mas tenho medo
Do meu segredo
Pena que o dia já vai nascer.

Já vem a luz Lá Irradiante,
Cores de um chafariz.
Bisbilhotando qualquer instante
Entra sem mesmo pedir.
Cubro meus olhos de tanta imagem,
Sinto saudades do sul.
Vou navegando
Desencantado:
Vejo que as nuvens
Serão espumas das ondas
De um segundo mar maior.